Guia de anticoncepção

AVISO IMPORTANTE: As informações a seguir têm caráter educativo, para auxiliar na discussão sobre a escolha do anticoncepcional em conjunto com seu ginecologista e não substituem a consulta médica. A escolha do anticoncepcional depende do seu histórico de saúde e objetivos pessoais. Existem contraindicações e riscos na escolha deles. Não se automedique!!! Consulte seu ginecologista.

1. Tipos de Anticoncepcionais

Os métodos contraceptivos são classificados principalmente pela sua composição hormonal e modo de ação.

CategoriaComposição HormonalExemplos Comuns
CombinadosEstrogênio  + ProgesteronaPílula oral combinada, Anel vaginal, Adesivo transdérmico, Injetável mensal.
Somente ProgestágenoApenas com ProgesteronaImplante subdérmico, DIU Hormonal (Mirena/Kyleena), Injetável Trimestral, Pílula de progesterona isolada. 
LARC (Anticoncepcional Reversível de Longa Duração)Variável.DIU de Cobre (Não Hormonal), DIU Hormonal, Implante Subdérmico.
Não HormonaisSem hormônios.DIU de Cobre, Preservativos interno e externo.
DefinitivosNenhum.Laqueadura (ligadura de tubas), Vasectomia.

2. Taxas de Falha dos Anticoncepcionais (Índice de Pearl)

A eficácia é medida pelo Índice de Pearl (número de falhas em 100 mulheres usando o método por um ano). É importante diferenciar a falha por Uso Perfeito (uso correto e consistente) da falha por Uso Típico (uso com erros, esquecimentos, etc.).

Conclusão: Os métodos LARC (DIU e Implante) exigem um investimento inicial, mas entregam maior eficácia, menor risco de falha, e se tornam uma opção econômica no longo prazo, sendo os métodos com maior taxa de continuidade após um ano.


3. Anticoncepcionais combinados: como escolher?

O ginecologista individualiza a escolha dos hormônios com base nas queixas e histórico da paciente.

A. Escolha do Estrogênio (Etinilestradiol ou Estrogênios Naturais)

  • Fatores como pressão alta, enxaqueca, obesidade, idade e tabagismo definem se há contraindicação ao estrogênio e se a melhor escolha é a versão natural ou o etinilestradiol.
  • O etinilestradiol, presente na maioria das pílulas, pode elevar a pressão, os triglicérides e o risco de trombose. Por isso, a indicação e o acompanhamento devem ser individualizados.
  • Pílulas com estrogênio natural surgem como alternativa para garantir melhor tolerabilidade em algumas pacientes.
  • Pessoas sem contraindicações podem utilizar dosagens variadas, conforme a tolerância e o perfil de sintomas.
  • O estrogênio é um fator que auxilia no controle do sangramento.
  • O uso de estrogênio melhora a acne, oleosidade da pele.
  • Efeitos colaterais como náuseas, vômitos, mastalgia (dor nas mamas) e cefaleia costumam estar relacionados à dose de estrogênio utilizada.

B. Escolha da Progesterona (Progestágeno)

O tipo de progesterona é o que mais define os benefícios e efeitos colaterais:

Existem opções que podem melhorar acne, pelos, oleosidade de pele.

Podem ser usados em conjunto com os estrogênios nas pílulas combinadas

Podem ser usadas isoladamente: 

  • para pacientes com enxaqueca com aura, hipertensas, amamentação, tabagismo, histórico de trombose, endometriose
  • Tipos:
    • Desogestrel: não tem benefício na acne, oleosidade ou inchaço. Pode levar a amenorreia (cessação do sangramento), mas pode ter escapes e sangramento irregular em uma pequena parte das pacientes. Menor custo
    • Drospirenona: pode reduzir acne e oleosidade de pele, reduz inchaço. Melhor controle de sangramento comparado ao desogestrel. Maior custo.

4. Como tomar e o que fazer em casos de emergência?

Modos de tomar

  • Cíclica: Pausa de 4 ou 7 dias entre as cartelas, de acordo com a bula.
  • Estendida: Emendar 3 cartelas e fazer pausa entre elas
  • Contínua: Sem pausa. 

Esquecimento da Pílula 

Quanto maior o tempo de esquecimento, maior a chance de falha do método, aumentando o risco de escapes ou gravidez. Lembre-se de ler a bula, cada pílula tem uma janela de tempo que pode comprometer mais ou menos a falha do método.

  • 24 horas de atraso: Tome a pílula esquecida assim que lembrar, mesmo que isso signifique tomar duas pílulas ao mesmo tempo (a esquecida e a do dia atual). Continue a cartela normalmente
  • Esqueceu 2 ou mais pílulas: tome um comprimido esquecido assim que lembrar e continue o restante da cartela no horário habitual e associar método de barreira por 7 dias (camisinha). Se tiver relação sexual nos últimos 5 dias: usar método de emergência! Após o término da cartela, emendar a próxima logo em seguida, sem fazer pausa.

Observação: Minipílula de noretisterona (comum na amamentação): O atraso máximo é de 3 horas!

Vômito ou Diarreia

  • Se tiver vômito ou diarreia até 3 a 4 horas após tomar a pílula, o hormônio pode não ter sido absorvido.
  • Tome outro comprimido imediatamente, como se fosse um esquecimento. Continue a cartela normalmente e use o método de barreira (preservativo) por 7 dias.
  • Se persistir os sintomas de vômitos:
    • Trocar o horário da pílula
    • Avaliar sobre troca de anticoncepcional com médico

5. Risco de Trombose (Tromboembolismo Venoso – TEV)

  • O Risco: O risco de trombose (formação de coágulos) é o efeito colateral mais sério e está associado principalmente ao estrogênio presente nos anticoncepcionais combinados (pílula, adesivo, anel, injetável mensal), com diferenças entre os tipos de estrogênios.
  • Alternativas Seguras: Para pacientes com alto risco de trombose, a indicação é de métodos somente progestágeno (implante, DIU hormonal, pílula de progestina isolada) ou não hormonais (DIU de cobre), pois não aumentam o risco de trombose. O injetável trimestral (DMPA) pode ter um pequeno aumento de risco e deve ser avaliado caso a caso.

6. Efeitos Colaterais Comuns

Os efeitos colaterais tendem a ser mais acentuados nos primeiros 3 meses de uso e geralmente desaparecem depois.

  • Náuseas (especialmente nas primeiras semanas).
  • Dor mamária.
  • Sangramento de escape (irregular) – Comum em pílulas de baixa dose e métodos de Progestágeno.
  • Alteração no humor e libido.
  • Aumento ou retenção de líquidos (dependendo do progestágeno)
  • Dor de cabeça leve.
    • Se tiver piora importante, persistente, mudança da característica da dor, principalmente se tiver algum sintoma de aura, suspender anticoncepcional combinado e procurar atendimento médico.
    • Aura é quando tem algum sintoma neurológico focal e transitório que ocorre antes ou durante a dor de cabeça. Variam entre 5 e 60 minutos. Exemplos: pontos luminosos, embaçamento visual, formigamento, dormência, fala alterada, tontura, zumbido. Lembrando que enxaqueca com aura é contraindicação absoluta ao uso de anticoncepcional combinado. 

7. Quando Iniciar o Anticoncepcional?

O início ideal é nos primeiros cinco dias da menstruação.

Pode ser usado também em outras fases do ciclo menstrual, desde que haja certeza da não gravidez. Nesses casos, o preservativo deve ser usado por 7 dias.

8. Prós e Contras Gerais

MétodoPrós (Vantagens)Contras (Desvantagens)
Pílula CombinadaReduz cólicas e fluxo, melhora acne e pelos aumentados, alta reversibilidade, ciclos previsíveis.Aumenta risco de trombose, exige disciplina diária (risco de falha por esquecimento). Pode ter náuseas ou dor nas mamas.
Pílula de Progestagênio(Desogestrel / Drospirenona)Não aumenta risco de trombose, permitida na amamentação, muitas mulheres param de menstruar (amenorreia).Sangramento imprevisível (spotting) pode ocorrer.
Injetável Mensal(Estrogênio + Progestágeno)Menor chance de esquecimento que a pílula diária, ciclos menstruais muito regulares.Necessidade de ir à farmácia/clínica todo mês, dor da injeção, risco de trombose.
Injetável Trimestral(Depo-Provera)Aplicação a cada 3 meses, alta taxa de amenorreia (sem menstruar), bom para quem não pode usar estrogênio, baixo custo.Demora no retorno da fertilidade (pode levar até 1 ano após parar), ganho de peso (é o único método associado a ganho real de peso), perda de massa óssea no uso prolongado.
Anel VaginalTroca apenas 1x ao mês, menor incidência de náuseas, bom controle de ciclo.Manipulação vaginal (algumas pacientes não gostam de tocar), custo mais elevado, risco de expulsão involuntária, risco de trombose (contém estrogênio).
Adesivo TransdérmicoTroca semanal (3 semanas sim, 1 não), visualização fácil da adesão.Esteticamente visível, pode descolar, irritação na pele, risco de trombose.
Implante (Implanon)(LARC – Progestagênio)Método mais eficaz atualmente, dura até 5 anos (aprovado para 3), não depende da paciente lembrar.Padrão de sangramento pode ser imprevisível em uma porcentagem baixa (principal motivo de retirada), custo inicial alto, pode piorar acne, requer pequeno procedimento médico.
DIU Hormonal
(Mirena / Kyleena)
Dura 5 a 8 anos, reduz uma parte ou totalmente o fluxo, ação local, protege o útero contra câncer de endométrio.Custo inicial alto, cólica na inserção, pode ter escape (spotting) nos primeiros 3-6 meses, risco de expulsão.
DIU de Cobre / Prata(LARC – Sem hormônio)Livre de hormônios, dura de 5 a 10 anos, não interfere na libido ou peso, baixo custo a longo prazo.Aumenta cólicas e fluxo menstrual, risco de expulsão, cólica na inserção.

9. Melhores Opções por Prioridade

Prioridade da PacienteMétodo RecomendadoJustificativa
Não Esquecer de TomarDIU Hormonal, DIU de Cobre ou Implante (LARC).Elimina a dependência da lembrança diária ou mensal, garantindo a maior eficácia.
Tratar Acne e OleosidadePílula Combinada com Progestágenos Anti-Androgênicos (ex: Drospirenona) ou uso de Drospirenona isolada.Esses hormônios são anti-androgênicos, portanto reduzem a oleosidade da pele.
Menor Risco de Engravidar (Maior Eficácia)Implante Subdérmico (<0,05% de falha) ou DIU Hormonal (<0,2% de falha).São métodos de ação prolongada (LARC) com o menor índice de falha por uso típico.
Maior Controle de Sangramento (ou amenorreia)DIU Hormonal (reduz ou interrompe o sangramento) ou Pílula de Uso Contínuo.São os mais eficazes para reduzir o fluxo menstrual e tratar cólicas intensas.
Menor Risco de TromboseMétodos Somente Progestágeno (DIU Hormonal, Implante, progesterona via oral isolada) ou Não Hormonais (DIU de Cobre).Excluem o Estrogênio, que é o principal agente trombogênico (causador de coágulos).
Menor Risco de Câncer de MamaDIU de Cobre (Não Hormonal).Os contraceptivos hormonais têm associação discreta com o risco de câncer de mama. O DIU de Cobre não tem relação.
Melhor Custo-Benefício Longo PrazoDIU de Cobre.Custo inicial único e dura até 10 anos.

Reforçando: A escolha ideal requer uma consulta detalhada com o seu ginecologista, que irá ponderar todos esses fatores com base no seu histórico de saúde.

Referências:

1. Contraception Selection, Effectiveness, and Adverse Effects: A Review.

Teal S, Edelman A. JAMA. 2021;326(24):2507-2518. doi:10.1001/jama.2021.21392.Leading Journal

2. Estrogen, Progestin, and Beyond: Thrombotic Risk and Contraceptive Choices.

Skeith L, Bates SM. Hematology. American Society of Hematology. Education Program. 2024;2024(1):644-651. doi:10.1182/hematology.2024000591.New Research

3. Association of Hormonal Contraceptive Use With Adverse Health Outcomes: An Umbrella Review of Meta-analyses of Randomized Clinical Trials and Cohort Studies.

Brabaharan S, Veettil SK, Kaiser JE, et al. JAMA Network Open. 022;5(1):e2143730. doi:10.1001/jamanetworkopen.2021.43730.  Leading Journal

4. Deep Vein Thrombosis.

Kyrle PA, Eichinger S. Lancet (London, England). 2005 Mar 26-Apr 1;365(9465):1163-74. doi:10.1016/S0140-6736(05)71880-8.Leading Journal

5. Progestin-Only Contraception and Thrombosis: An Updated Systematic Review.

Tepper NK, Nguyen AT, Whiteman MK, Curtis KM. Contraception. 2025;:110978. doi:10.1016/j.contraception.2025.110978.New Research

6. Contraceptives and Thrombosis: An Intertwined Revolutionary Road.

Barcellona D, Marongiu F, Grandone E. Seminars in Thrombosis and Hemostasis. 2024;50(1):91-95. doi:10.1055/s-0043-1764382.

7. Combined Hormonal Contraception and the Risk of Venous Thromboembolism: A Guideline.

Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Electronic address: ASRM@asrm.org, et al. Fertility and Sterility. 2017;107(1):43-51. doi:10.1016/j.fertnstert.2016.09.027. Practice Guideline

8. Thrombophilia Testing and Venous Thrombosis.

Connors JM. The New England Journal of Medicine. 2017;377(12):1177-1187. doi:10.1056/NEJMra1700365.Leading Journal

9. Venous Thromboembolism in Women of Childbearing Age: Insights From the START Registry.

Grandone E, Antonucci E, Colaizzo D, et al. Thrombosis and Haemostasis. 2023;123(11):1060-1068. doi:10.1055/s-0043-1769592.

Dr. Marcus Zilli

Ginecologia | Uroginecologia | Sexologia | Cirurgia de afirmação de gênero 

CRM SP 183675 | RQE 104033

AVISO IMPORTANTE: As informações a seguir têm caráter educativo, para auxiliar na discussão sobre a escolha do anticoncepcional em conjunto com seu ginecologista e não substituem a consulta médica. A escolha do anticoncepcional depende do seu histórico de saúde e objetivos pessoais. Existem contraindicações e riscos na escolha deles. Não se automedique!!! Consulte seu ginecologista.

1. Tipos de Anticoncepcionais

Os métodos contraceptivos são classificados principalmente pela sua composição hormonal e modo de ação.

CategoriaComposição HormonalExemplos Comuns
CombinadosEstrogênio  + ProgesteronaPílula oral combinada, Anel vaginal, Adesivo transdérmico, Injetável mensal.
Somente ProgestágenoApenas com ProgesteronaImplante subdérmico, DIU Hormonal (Mirena/Kyleena), Injetável Trimestral, Pílula de progesterona isolada. 
LARC (Anticoncepcional Reversível de Longa Duração)Variável.DIU de Cobre (Não Hormonal), DIU Hormonal, Implante Subdérmico.
Não HormonaisSem hormônios.DIU de Cobre, Preservativos interno e externo.
DefinitivosNenhum.Laqueadura (ligadura de tubas), Vasectomia.

2. Taxas de Falha dos Anticoncepcionais (Índice de Pearl)

A eficácia é medida pelo Índice de Pearl (número de falhas em 100 mulheres usando o método por um ano). É importante diferenciar a falha por Uso Perfeito (uso correto e consistente) da falha por Uso Típico (uso com erros, esquecimentos, etc.).

Conclusão: Os métodos LARC (DIU e Implante) exigem um investimento inicial, mas entregam maior eficácia, menor risco de falha, e se tornam uma opção econômica no longo prazo, sendo os métodos com maior taxa de continuidade após um ano.


3. Anticoncepcionais combinados: como escolher?

O ginecologista individualiza a escolha dos hormônios com base nas queixas e histórico da paciente.

A. Escolha do Estrogênio (Etinilestradiol ou Estrogênios Naturais)

  • Fatores como pressão alta, enxaqueca, obesidade, idade e tabagismo definem se há contraindicação ao estrogênio e se a melhor escolha é a versão natural ou o etinilestradiol.
  • O etinilestradiol, presente na maioria das pílulas, pode elevar a pressão, os triglicérides e o risco de trombose. Por isso, a indicação e o acompanhamento devem ser individualizados.
  • Pílulas com estrogênio natural surgem como alternativa para garantir melhor tolerabilidade em algumas pacientes.
  • Pessoas sem contraindicações podem utilizar dosagens variadas, conforme a tolerância e o perfil de sintomas.
  • O estrogênio é um fator que auxilia no controle do sangramento.
  • O uso de estrogênio melhora a acne, oleosidade da pele.
  • Efeitos colaterais como náuseas, vômitos, mastalgia (dor nas mamas) e cefaleia costumam estar relacionados à dose de estrogênio utilizada.

B. Escolha da Progesterona (Progestágeno)

O tipo de progesterona é o que mais define os benefícios e efeitos colaterais:

Existem opções que podem melhorar acne, pelos, oleosidade de pele.

Podem ser usados em conjunto com os estrogênios nas pílulas combinadas

Podem ser usadas isoladamente: 

  • para pacientes com enxaqueca com aura, hipertensas, amamentação, tabagismo, histórico de trombose, endometriose
  • Tipos:
    • Desogestrel: não tem benefício na acne, oleosidade ou inchaço. Pode levar a amenorreia (cessação do sangramento), mas pode ter escapes e sangramento irregular em uma pequena parte das pacientes. Menor custo
    • Drospirenona: pode reduzir acne e oleosidade de pele, reduz inchaço. Melhor controle de sangramento comparado ao desogestrel. Maior custo.

4. Como tomar e o que fazer em casos de emergência?

Modos de tomar

  • Cíclica: Pausa de 4 ou 7 dias entre as cartelas, de acordo com a bula.
  • Estendida: Emendar 3 cartelas e fazer pausa entre elas
  • Contínua: Sem pausa. 

Esquecimento da Pílula 

Quanto maior o tempo de esquecimento, maior a chance de falha do método, aumentando o risco de escapes ou gravidez. Lembre-se de ler a bula, cada pílula tem uma janela de tempo que pode comprometer mais ou menos a falha do método.

  • 24 horas de atraso: Tome a pílula esquecida assim que lembrar, mesmo que isso signifique tomar duas pílulas ao mesmo tempo (a esquecida e a do dia atual). Continue a cartela normalmente
  • Esqueceu 2 ou mais pílulas: tome um comprimido esquecido assim que lembrar e continue o restante da cartela no horário habitual e associar método de barreira por 7 dias (camisinha). Se tiver relação sexual nos últimos 5 dias: usar método de emergência! Após o término da cartela, emendar a próxima logo em seguida, sem fazer pausa.

Observação: Minipílula de noretisterona (comum na amamentação): O atraso máximo é de 3 horas!

Vômito ou Diarreia

  • Se tiver vômito ou diarreia até 3 a 4 horas após tomar a pílula, o hormônio pode não ter sido absorvido.
  • Tome outro comprimido imediatamente, como se fosse um esquecimento. Continue a cartela normalmente e use o método de barreira (preservativo) por 7 dias.
  • Se persistir os sintomas de vômitos:
    • Trocar o horário da pílula
    • Avaliar sobre troca de anticoncepcional com médico

5. Risco de Trombose (Tromboembolismo Venoso – TEV)

  • O Risco: O risco de trombose (formação de coágulos) é o efeito colateral mais sério e está associado principalmente ao estrogênio presente nos anticoncepcionais combinados (pílula, adesivo, anel, injetável mensal), com diferenças entre os tipos de estrogênios.
  • Alternativas Seguras: Para pacientes com alto risco de trombose, a indicação é de métodos somente progestágeno (implante, DIU hormonal, pílula de progestina isolada) ou não hormonais (DIU de cobre), pois não aumentam o risco de trombose. O injetável trimestral (DMPA) pode ter um pequeno aumento de risco e deve ser avaliado caso a caso.

6. Efeitos Colaterais Comuns

Os efeitos colaterais tendem a ser mais acentuados nos primeiros 3 meses de uso e geralmente desaparecem depois.

  • Náuseas (especialmente nas primeiras semanas).
  • Dor mamária.
  • Sangramento de escape (irregular) – Comum em pílulas de baixa dose e métodos de Progestágeno.
  • Alteração no humor e libido.
  • Aumento ou retenção de líquidos (dependendo do progestágeno)
  • Dor de cabeça leve.
    • Se tiver piora importante, persistente, mudança da característica da dor, principalmente se tiver algum sintoma de aura, suspender anticoncepcional combinado e procurar atendimento médico.
    • Aura é quando tem algum sintoma neurológico focal e transitório que ocorre antes ou durante a dor de cabeça. Variam entre 5 e 60 minutos. Exemplos: pontos luminosos, embaçamento visual, formigamento, dormência, fala alterada, tontura, zumbido. Lembrando que enxaqueca com aura é contraindicação absoluta ao uso de anticoncepcional combinado. 

7. Quando Iniciar o Anticoncepcional?

O início ideal é nos primeiros cinco dias da menstruação.

Pode ser usado também em outras fases do ciclo menstrual, desde que haja certeza da não gravidez. Nesses casos, o preservativo deve ser usado por 7 dias.

8. Prós e Contras Gerais

MétodoPrós (Vantagens)Contras (Desvantagens)
Pílula CombinadaReduz cólicas e fluxo, melhora acne e pelos aumentados, alta reversibilidade, ciclos previsíveis.Aumenta risco de trombose, exige disciplina diária (risco de falha por esquecimento). Pode ter náuseas ou dor nas mamas.
Pílula de Progestagênio(Desogestrel / Drospirenona)Não aumenta risco de trombose, permitida na amamentação, muitas mulheres param de menstruar (amenorreia).Sangramento imprevisível (spotting) pode ocorrer.
Injetável Mensal(Estrogênio + Progestágeno)Menor chance de esquecimento que a pílula diária, ciclos menstruais muito regulares.Necessidade de ir à farmácia/clínica todo mês, dor da injeção, risco de trombose.
Injetável Trimestral(Depo-Provera)Aplicação a cada 3 meses, alta taxa de amenorreia (sem menstruar), bom para quem não pode usar estrogênio, baixo custo.Demora no retorno da fertilidade (pode levar até 1 ano após parar), ganho de peso (é o único método associado a ganho real de peso), perda de massa óssea no uso prolongado.
Anel VaginalTroca apenas 1x ao mês, menor incidência de náuseas, bom controle de ciclo.Manipulação vaginal (algumas pacientes não gostam de tocar), custo mais elevado, risco de expulsão involuntária, risco de trombose (contém estrogênio).
Adesivo TransdérmicoTroca semanal (3 semanas sim, 1 não), visualização fácil da adesão.Esteticamente visível, pode descolar, irritação na pele, risco de trombose.
Implante (Implanon)(LARC – Progestagênio)Método mais eficaz atualmente, dura até 5 anos (aprovado para 3), não depende da paciente lembrar.Padrão de sangramento pode ser imprevisível em uma porcentagem baixa (principal motivo de retirada), custo inicial alto, pode piorar acne, requer pequeno procedimento médico.
DIU Hormonal
(Mirena / Kyleena)
Dura 5 a 8 anos, reduz uma parte ou totalmente o fluxo, ação local, protege o útero contra câncer de endométrio.Custo inicial alto, cólica na inserção, pode ter escape (spotting) nos primeiros 3-6 meses, risco de expulsão.
DIU de Cobre / Prata(LARC – Sem hormônio)Livre de hormônios, dura de 5 a 10 anos, não interfere na libido ou peso, baixo custo a longo prazo.Aumenta cólicas e fluxo menstrual, risco de expulsão, cólica na inserção.

9. Melhores Opções por Prioridade

Prioridade da PacienteMétodo RecomendadoJustificativa
Não Esquecer de TomarDIU Hormonal, DIU de Cobre ou Implante (LARC).Elimina a dependência da lembrança diária ou mensal, garantindo a maior eficácia.
Tratar Acne e OleosidadePílula Combinada com Progestágenos Anti-Androgênicos (ex: Drospirenona) ou uso de Drospirenona isolada.Esses hormônios são anti-androgênicos, portanto reduzem a oleosidade da pele.
Menor Risco de Engravidar (Maior Eficácia)Implante Subdérmico (<0,05% de falha) ou DIU Hormonal (<0,2% de falha).São métodos de ação prolongada (LARC) com o menor índice de falha por uso típico.
Maior Controle de Sangramento (ou amenorreia)DIU Hormonal (reduz ou interrompe o sangramento) ou Pílula de Uso Contínuo.São os mais eficazes para reduzir o fluxo menstrual e tratar cólicas intensas.
Menor Risco de TromboseMétodos Somente Progestágeno (DIU Hormonal, Implante, progesterona via oral isolada) ou Não Hormonais (DIU de Cobre).Excluem o Estrogênio, que é o principal agente trombogênico (causador de coágulos).
Menor Risco de Câncer de MamaDIU de Cobre (Não Hormonal).Os contraceptivos hormonais têm associação discreta com o risco de câncer de mama. O DIU de Cobre não tem relação.
Melhor Custo-Benefício Longo PrazoDIU de Cobre.Custo inicial único e dura até 10 anos.

Reforçando: A escolha ideal requer uma consulta detalhada com o seu ginecologista, que irá ponderar todos esses fatores com base no seu histórico de saúde.

Referências:

1. Contraception Selection, Effectiveness, and Adverse Effects: A Review.

Teal S, Edelman A. JAMA. 2021;326(24):2507-2518. doi:10.1001/jama.2021.21392.Leading Journal

2. Estrogen, Progestin, and Beyond: Thrombotic Risk and Contraceptive Choices.

Skeith L, Bates SM. Hematology. American Society of Hematology. Education Program. 2024;2024(1):644-651. doi:10.1182/hematology.2024000591.New Research

3. Association of Hormonal Contraceptive Use With Adverse Health Outcomes: An Umbrella Review of Meta-analyses of Randomized Clinical Trials and Cohort Studies.

Brabaharan S, Veettil SK, Kaiser JE, et al. JAMA Network Open. 022;5(1):e2143730. doi:10.1001/jamanetworkopen.2021.43730.  Leading Journal

4. Deep Vein Thrombosis.

Kyrle PA, Eichinger S. Lancet (London, England). 2005 Mar 26-Apr 1;365(9465):1163-74. doi:10.1016/S0140-6736(05)71880-8.Leading Journal

5. Progestin-Only Contraception and Thrombosis: An Updated Systematic Review.

Tepper NK, Nguyen AT, Whiteman MK, Curtis KM. Contraception. 2025;:110978. doi:10.1016/j.contraception.2025.110978.New Research

6. Contraceptives and Thrombosis: An Intertwined Revolutionary Road.

Barcellona D, Marongiu F, Grandone E. Seminars in Thrombosis and Hemostasis. 2024;50(1):91-95. doi:10.1055/s-0043-1764382.

7. Combined Hormonal Contraception and the Risk of Venous Thromboembolism: A Guideline.

Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Electronic address: ASRM@asrm.org, et al. Fertility and Sterility. 2017;107(1):43-51. doi:10.1016/j.fertnstert.2016.09.027. Practice Guideline

8. Thrombophilia Testing and Venous Thrombosis.

Connors JM. The New England Journal of Medicine. 2017;377(12):1177-1187. doi:10.1056/NEJMra1700365.Leading Journal

9. Venous Thromboembolism in Women of Childbearing Age: Insights From the START Registry.

Grandone E, Antonucci E, Colaizzo D, et al. Thrombosis and Haemostasis. 2023;123(11):1060-1068. doi:10.1055/s-0043-1769592.

Dr. Marcus Zilli

Ginecologia | Uroginecologia | Sexologia | Cirurgia de afirmação de gênero 

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